sexta-feira, 22 de julho de 2016

Livro: O Fim da Eternidade

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Livro: O Fim da Eternidade 
Autor: Isaac Asimov 
Editora: Aleph 
Páginas: 255 

Em O Fim da Eternidade nos é apresentado o personagem de Andrew Harlan, ele é um Eterno. Os Eternos dominam a tecnologia de viagem no tempo, podendo viajar tanto para o passado quanto para o futuro, e quando necessário podem interferir na realidade do século para o qual são enviados introduzindo o que eles chamam de M.M.N., ou Mudança Mínima Necessária, que são pequenas modificações que podem alterar todo o curso da história, tudo para o bem da raça humana.¹ 

Harlan estava quase satisfeito com seu trabalho como um Eterno, ao conhecer Noys Lambert, uma tempista, ele começa a questionar as interferências que são realizadas, pois a cada M.M.N. executada a mudança no fluxo temporal muda a vida das pessoas daquela realidade, do século X. Logo, a mudança que ele irá realizar coloca em risco a existência de Noys, então ele decide alterar a mudança em nome do que ele chama de amor. 

Harlan é um Técnico, logo, ele viaja pelos séculos para colocar as mudanças em prática, tudo lhe é dito previamente e seu papel é fazer a mudança acontecer. 

Entenda que por trás de cada M.M.N. realizada há sempre uma série de cálculos para que o tamanho das consequências das mudanças seja medido, de maneira que nada se torne catastrófico demais, há Computadores, Sociólogos, Mapeadores da Vida, Técnicos, Observadores e todos trabalham em prol das mudanças e de suas consequências, nenhuma mudança é feita aleatoriamente. Logo, ao tentar salvar a existência de NoysHarlan coloca muita coisa em risco sem pensar, pois ele a tira da sua realidade, assim intervindo em seja qual for o papel que ela desempenharia na sua nova realidade. 

A Eternidade é retratada como uma dimensão paralela e contínua, só os Eternos tem acesso a ela. Os outros humanos são chamados de tempistas e vivem na realidade comum. tempo é algo no qual eles podem se locomover. Logo, é algo simultâneo, todos os séculos existem simultaneamente na terra. 

Na história eles falam dos séculos como nós falamos dos anos, eles conhecem a cultura de cada século e os principais acontecimentos. É importante saber que a Eternidade só foi descoberta no século 24 e só foi colocada em prática no século 27. Os séculos que antecedem a descoberta são considerados primitivos e são inalteráveis, o que desperta em Harlan uma certa paixão e curiosidade pelos séculos primitivos. As Mudanças se estendem apenas por alguns Séculos antes que a inércia temporal provoque sua anulação.² 

princípio entende-se que a historia seria focada no relacionamento do Harlan com Noys, mas Graças ao Tempo, não foi. Asimov conseguiu dar outro significado ao termo reviravolta e o curso do livro muda com tamanha maestria, e ao mesmo tempo sem perder o foco no núcleo original que somos conduzidos pelos capítulos como se a realidade estivesse sendo mudada diante dos nossos olhos. 

Posso afirmar que Isaac Asimov é um homem à frente de seu tempo. Sua originalidade é impecável. O tom da história, os elementos envolvidos, tudo é colocado com tamanha sutilidade que diversas vezes parece que aquela realidade existe. Seus personagens são bem construídos e tem características próprias e peculiares, o Harlan, por exemplo, não cativa de forma alguma, ele é extremamente inteligente, porém igualmente egocêntrico e imaturo, por várias vezes ele pensa que o tempo gira em torno apenas dele, e que tudo que acontece é orquestrado com finalidade de alterar seus planos. Entretanto isso não faz dele um protagonista ruim, apenas diversificado, estamos tão acostumados com figuras heroicas, que quando nos deparamos com algo diferente do que esperamos não aceitamos tão bem assim. Ele, em seus pensamentos, se faz parecer apenas uma peça nEternidade mas, no desdobrar da história, podemos entendê-lo como um elemento fundamental nos acontecimentos principais. A única coisa que me incomodou um pouco, diga-se bastante, durante a história é o fato de mulheres não serem permitidas na Eternidade. É explicado o motivo, mas não convence de forma alguma. A única mulher da história é a Noys e ela é uma personagem um tanto fraca, no mínimo ela devia ter mais personalidade. 

O Fim da Eternidade é um livro atemporal, imutável, invariável, perene, eterno. Dentre todos os livros que abordam o tema de viagem no tempo, este é singular, pois ele vai além do deslocamento temporal. O tempo é apenas um veículo, seu foco é abordar as consequências e o que nós, humanos, faríamos com este poder em mãos. Ele se esgota de possibilidades até o infinito, excedendo as barreiras do que achamos conhecer sobre o Tempo e a Eternidade. 

"Um livro que extrapolou as barreiras do tempo e de seu próprio gênero literário para se tornar um clássico. Um clássico Eterno." 

terça-feira, 19 de julho de 2016

Livro: O Arqueiro

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LivroO Arqueiro 
Autor: Bernard Cornwell 
Editora: Record 
Páginas: 450

O Arqueiro é o primeiro livro de uma trilogia, denominada A Busca do Graal, e tem como plano de fundo a Guerra dos Cem Anos que foi um conflito que se deu em meados do século XIV envolvendo a França e a Inglaterra. 

Bernard Cornwell consegue fazer o leitor viajar no tempo ao ler seu romance histórico, pois a cada descrição de batalhas é impossível não sentir como se estivéssemos lá, no meio da Guerra dos Cem Anos. O autor consegue fazer a fusão de acontecimentos reais com ficção com tamanha habilidade que em alguns momentos você se questiona o que é fato e o que não é. 

Conhecemos Thomas de Hookton, um habilidoso arqueiro que saí de sua cidade natal em busca de vingança pela morte de seu pai, um padre, que foi assassinado após sua aldeia ser invadida brutalmente pelos franceses e uma relíquia do cristianismo ser roubada, a lança que São Jorge supostamente usou para matar o dragão, o pai de Thomas lhe faz prometer que irá recuperar a lança, e para cumprir esta promessa Thomas se une ao exercito Inglês e inicia sua aventura que posteriormente se da a busca pelo Graal. 

Acompanhamos o crescimento de Thomas como arqueiro, o inicio de sua jornada suas primeiras batalhas. O livro é todo detalhista quando se diz respeito aos conflitos, e para quem não tem muito conhecimento das formas de batalhas serve como aprendizagem, vemos a importância e a diferença que arqueiros fazem em um campo de batalha.  

Este foi o primeiro livro que li do Cornwell, e até praticamente metade deste livro achei a narrativa envolvente, a aventura empolgante. Entretanto estabeleci uma relação de amor e ódio com os detalhes das batalhas, pois após determinado ponto as batalhas dominam as páginas de uma forma que tudo é minimamente detalhado. E dependendo do tipo de leitor, a leitura pode ficar cansativa. Isto não é um grande obstáculo que impeça o espectador de concluir a leitura, mas no meu caso o ritmo diminuiu bastante.  

Espero concluir a leitura da trilogia. As batalhas, como já disse anteriormente, na minha relação de amor e ódio, são um ponto alto, contudo o que mais me intriga são as especulação a respeito do Graal em si, acho um mistério indecifrável pois alguns detalhes do livro passam a impressão que o Graal não é um objeto, e se for acho que não é aquilo que esperamos que seja.  

Os outros livros da trilogia são O Andarilho e O Herege também publicados no Brasil pela editora Record. 


sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Livro: O Rei de Amarelo

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Livro: O Rei de Amarelo 
Autor: Robert W. Chambers 
Editora: Intrínseca 
Páginas: 256 

O livro foi escrito em meados do século XIX por Robert Chambers e desde então tem servido inspiração para diversos, e conhecidos, autores como H.P. Lovecraft, Neil Gaiman, Stephen King. Além de recentemente ter sido citado, e de certa forma incluído, na série True Detective, da HBO. 
O Rei de Amarelo consiste em uma coletânea de  dez contos que variam entre o sobrenatural e a realidade natural.  O título O Rei de Amarelo faz menção a um livro - uma peça teatral - que existe e é citado em quatro contos: "O reparador de reputações", "A máscara", "No Pátio do Dragão" e "O emblema Amarelo"; que fazem jus ao título do livro. São exatamente o que se espera do Rei de Amarelo.  A peça é considerada amaldiçoada e leva aqueles que arriscam lê-la à loucura, alguns mesmo tendo conhecimento sobre a reputação da peça, são seduzidos pelo caráter único e místico da obra.
Os primeiros contos contém uma carga de terror psicológico mais assertiva para aqueles que leem o livro buscando este gênero, a maneira como o livro/peça é introduzido em cada conto é intrigante, atrativa, os rumos que os contos levam fluem aceitavelmente de maneira que intriga a mente do leitor e o prende a leitura sem intervalos. Às vezes é necessário repensar, ou até mesmo reler, e nem todos os mistérios são desvendados com o findar do conto, não chega a ser frustrante, porém talvez alguns leitores se sintam insaciados com desfechos aparentemente incompletos. 
A mitologia amarela não é explicada detalhe por detalhe, é apresentada parcial e vagamente, o foco dos contos é a reação, loucura, dos que optam por ler a peça. E a peça em si é um mistério indesvendável.
Os contos variam e o clima de terror/suspense são deixados em segundo plano nos contos que seguem, pois são mais leves cada um tem sua pequena carga de suspense, entretanto são mais romantizados, ambientados em Paris relatam basicamente costumes da época. 
Após o quarto conto, que é o último que a peça é citada, confesso que para mim a leitura se tornou exaustiva. Alguns textos dos contos que seguem são extensos e detalhistas sem muita necessidade. Isso não os torna ruins, entretanto são cansativos pela dimensão, aparentemente desnecessária, do texto. Talvez eu não estivesse pronta para um livro com contos de gênero diversificado, pois eu esperava que o horror estivesse presente em todos os contos. 
Conheci a mitologia amarela após assisti True Detective, e li o livro após ver a série e isso me permitiu fazer conexões entre os dois. Mas aconselho, se você tiver a oportunidade, fazer a ordem inversa: primeiro livro, depois série. Assim a base será mais aproveitada para compreensão de alguns pontos altos da série.
A diagramação do livro é bonita. Um tanto clássica. O livro tem notas em todos os capítulos para que o leitor possa compreender o conteúdo da melhor forma possível. E ajuda bastante, pois há algumas citações em francês que para quem não tem fluência no idioma talvez atrapalhasse um pouco a compreensão de alguns pontos importantes.
Rei de Amarelo tem um peso de responsabilidade de clássico sobre ele pois, como dito anteriormente, influenciou importantes autores do gênero. Logo, para os fãs do gênero é mais que recomendado, clássicos sempre são.